quarta-feira, 3 de junho de 2015



A Poesia do Dia

Inscrição na Areia


O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!
Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?
O meu amor não tem
importância nenhuma.


Cecília Meireles
Nasceu no Rio de Janeiro em 7 de novembro de 1901. Poeta, escritora, pintora e jornalista. Faleceu em 1964.


Letras & Cia.
parceura do
Sopa de Cebola


 )


terça-feira, 2 de junho de 2015




A Noite


Sentado à mesa da cozinha fito o copo vazio, meus dedos se distraem com farelos do pão amanhecido. Da parede um Cristo crucificado me observa. Um pássaro noturno pousa no meu ombro, enquanto ouço a voz de um velho fantasma a dizer, nos meus ouvidos, para marcar meu corpo com aquela antiga adaga. Digo ser impossível, pois tenho o corpo todo retalhado e com profundas marcas encarnadas. Ele insiste. Tampo os ouvidos com as tampas de cobre das estranhas panelas que ornamentam o vazio da casa.
Da rua mal iluminada pelo sorriso aberto da lua, vem o som de um realejo e a monótona canção do menestrel bêbado que fala de mais um amor frustrado.
Sinto frio, meu ser se petrifica e o vazio preenche meus vagos pensamentos. O pássaro noturno voa ao encontro da escuridão do meu quarto, o Cristo fecha os olhos. me cubro com o manto, aninhando no colo de uma deusa vestida de dourado.

Jorge Nicoli
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Vitória Parra
Parceira do

Sopa de Cebola


Pensamento

Tem gente que passa a vida inteira correndo atrás da felicidade e, com isso, se esquece de viver.
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Letras & Cia.
Parceira do

Sopa de Cebola



A Poesia do Dia


Descaminho do Amor

O amor pelo pecado
fez de mim um pecador.
Tive oportunidade de conhecer
outros pecadores...
O amor pelos pecadores,
me santificou.
Pela via amorosa,
desci ao Inferno
e subi ao céu!

Jorge Abdalla,
nascido em 16 de maio de 1961, em Espírito Santo do Pinhal, SP, é engenheiro, escritor, ator e poeta.Radicado em Guaratinguetá


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Lucilena Amann
psicóloga e parceira do
Sopa de Cebola

segunda-feira, 1 de junho de 2015



Pensamento


·         O grande problema da pessoa que se retira para um lugar ermo afim  de ficar longe dos problemas , é que ela vai junto.


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Cobianchi
Parceiro do
Sopa de Cebola


Fim de uma ilusão

O bar sempre oferece inspiração para uma crônica, pois seus freqüentadores são personagens, na sua maioria, interessantes – para o bem ou para o mal – e numa destas minhas rápidas passagens por um bar, encontrei um assíduo freqüentador, com o qual troco idéias. quase sempre um papo agradável e agradável não significa intelectualidade, pode ser até bobagens, afinal, no bar é o que mais se encontra. como é no bar que encontramos os chatos. Aqueles que bebem e entendem que nós temos de ser tolerantes. Bem, se não queremos encontrar bêbado, o melhor seria ir para a igreja, onde existem chatos mas não bêbados.
Voltemos ao que interessa, o papo com o amigo do bar, Como de costume falou de suas coisas, de sua vida, às vezes com alegria, outras com certa tristeza. Não raro diz que não tem muito mais o que fazer por aqui e, com a mesma constância, fala de seus dotes culinários e do amor pelo neto. Enfim, um ébrio, como ele costuma se denominar quando a dosagem alcoólica se expande em seu organismo.
O amigo em questão também adora cantar, canta relativamente bem e costuma brindar os amigos do traçado e da cachaça com seus dotes de cantor. Nesta noite, inspirado resolveu cantar algumas canções, indagando se eu as conhecia uma ou outra, e quando a resposta era negativa ria de meu desconhecimento e isso lhe dava satisfação. Num intervalo em que esperava meu comentário, um outro frequentador, começa a entoar o início de Matriz ou filial, no que o amigo ébrio continuou e antes da última estrofe ouve-se elogio a Lupicínio Rodrigues, da sua capacidade de criar belos versos. Entusiasmo cortado, abruptamente, pela minha voz cavernosa dizendo que a canção não era de Lupicínio e sim de Lúcio Cardim. Fui contestado, mas me mantive firme, pois tinha a certeza do que estava afirmando. Lúcio e não Lupi o autor, uma certeza que abalou o ébrio cantor e demonstrando profunda tristeza saiu para fumar. Talvez uma fuga para não se irritar com minha sabedoria. Percebi o constrangimento causado.
Tentei mudar o assunto, falando de outras composições que, equivocadamente, se atribuem a outros que não os verdadeiros autores, mas não adiantou. Em silêncio me ouviu, até que falou: “se hoje fiquei mais sábio em matéria de música, estou triste de saber que o autor de Matriz ou filial não é Lupicínio”. Quase lhe pedi desculpas por ter tirado esta ilusão, não o fiz . Me despedi, e fui para a casa com a sensação de ter destruído uma grande ilusão com minha pretensa sabedoria.

Jorge Nicoli

Darci. o personagem desta crônica está internado, por isso resolvi colocar este texto em sua homenagem.

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Chamomila
Parceira do
Sopa de Cebola




A Poesia do Dia


Teresa


A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna
 

Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)
 

Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas


Manuel Bandeira,
nasceu no Recife, em 19 de abril de 1886. Poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor. Faleceu em 1968 brasileiro. Faleceu em 1968.

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Castelinho
Parceiro do

Sopa de Cebola