quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016



Uma pessoa

Uma pessoa é esse sujeito cujas ações são susceptíveis de imputação. A personalidade moral nada mais é do que a liberdade de um ser razoável sob as leis morais.

Em compensação, a personalidade psicológica não passa da faculdade de ser consciente da sua existência como idêntica através de diferentes estados.

Segue-se que uma pessoa não pode ser submetida a outras leis que não àquelas que ela própria se confere (ou sozinha, ou pelo menos a si mesma ao mesmo tempo que com outros).

Emmanuel Kant, 
1724/ 1804 
Filósofo, nascido na Alemanha

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SOPA DE CEBOLA

Boletim de Arte e Cultura




terça-feira, 23 de fevereiro de 2016


Quando eu leio

Quando eu leio eu viajo, eu amo, eu odeio, eu me emociono, eu choro, eu enrubesço.

Se eu leio, eu sonho, eu conheço, eu penso. Quando eu leio, eu passo, eu fico, eu esqueço. Eu imagino, eu acabo, eu permaneço: fujo, ando, volto, tropeço.

Se eu leio eu adormeço, eu me entristeço, eu me alegro, eu corro, eu desapresso. Eu apareço e desapareço.

Quando eu leio, eu invejo, eu enlouqueço. Eu acostumo, eu elucido, eu duvido, vivo o que não tinha feito.

Lendo, invento verbos não escritos: democratizo, desautomatizo, arborizo, ouço-vejo. Leio porque me abraço, porque me protejo. Leio porque me encorajo, me envergonho, me orgulho: extasio, amanheço. Ler é mais do que tudo um ótimo jeito de simplesmente estar e ser: acordar/dormir, avançar/retroceder. Leio porque eu faço tudo enquanto eu nada faço: abro e fecho os poros ao mesmo tempo.

Ora, ler seria, para quem leu, uma questão de pele. Uma questão de corpo, o poroso órgão da alma em tudo semelhante a um livro. Leio porque lendo conheço esse verbo total. Experimento todas as palavras escritas e as que estão por escrever. O verbo feito mundo é então a casa de portas abertas onde morro e vivo: sou o livro onde cada página da vida não tem fim ou começo.

Então eu leio e leio de novo e me sinto viva para a grande novidade do mundo.

Márcia Tiburi.
Artista plástica, professora de filosofia e escritora,
nascida em Vacaria, RS, em 1970

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Tel. 3157 8910


Sobre sujeito e objeto

Se a estrutura dominante da sociedade reside na forma da troca, então a racionalidade desta constitui os homens; o que estes são para si mesmos, o que pretendem ser, é secundário.

Eles são deformados de antemão por aquele mecanismo que é transfigurado filosoficamente em transcendental.


Theodor W. Adorno
1903 – 1969
Filósofo, sociólogo, musicista e compositor,
nascido na Alemanha

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PARA REFLETIR

O  homem só se sentirá plenamente livre quando se libertar de  conceitos engessados, dos pré-concitos, dos preconceitos, da arrogância,  dos seus  dogmas. Como diz a filósofa Hanna Arendt> “o pior é ser escravo de si mesmo do que de outrem”.

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CASA SETE
Lingüiça de carne suína e
Hambúrguer caseiro



CINEMA

Lembranças dos Tempos Sombrios


Pra frente, Brasil, 1982, drama e ficção histórica, dirigido e escrito por Roberto Farias, Estrelado por Reginaldo Faria, Antônio Fagundes, Natália do Valle e Elizabeth Savalla, Pra frente, Brasil foi um dos primeiros filmes a retratar a repressão da ditadura militar brasileira de forma aberta.

A trama se passa em 1970, enqianto o povo vibra com a Seleção, campeã no México, nos porões da ditadura, comandada pelo “simpático” ditador Médici, prisioneiros políticos são torturados e mortos.

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Escravo de si mesmo

A suposição de que a identidade de uma pessoa transcende, em grandeza e importância, tudo o que ela possa fazer ou produzir é um elemento indispensável da dignidade humana.

Só os vulgares consentirão em atribuir a sua dignidade ao que fizeram; em virtude dessa condescendência serão «escravos e prisioneiros» das suas próprias faculdades e descobrirão, caso lhes reste algo mais que mera vaidade estulta, que ser escravo e prisioneiro de si mesmo é tão ou mais amargo e humilhante que ser escravo de outrem.

Hannah Arendt,
1906/1975 
Filósofa política,
nascida na Alemanha 

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O intelecto como auxiliar da felicidade

A filosofia tem de admitir que não é nela, mas sim na vida, que o homem deve encontrar as suas maiores satisfações; não na biblioteca ou na cela monástica, mas na satisfação dos seus instintos mais antigos.

A felicidade é inconsciente; só nos bafeja quando somos naturais; se nos detemos a analisá-la, desaparece, porque não é natural determo-nos a analisar uma coisa.

Se o intelecto contribui para a felicidade não o faz como fonte primária, mas sim como meio de coordenação, como instrumento harmonizador dos desejos. Neste sentido o intelecto pode ser um precioso auxiliar; e de contrário de nada valeria realizarmos todos os nossos fins, porque os desejos cancelar-se-iam uns aos outros, dando como resultado uma triste futilidade.


Will Durant,
1885/1981 
Filósofo e historiador, nascido nos EUA

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