segunda-feira, 4 de maio de 2015


A Arte Nasce Sempre de Alguma Paixão

Para que a arte possa ser arte, não se lhe exige uma sinceridade absoluta, mas algum tipo de sinceridade. Um homem pode escrever um bom soneto de amor sob duas condições - porque está consumido pelo amor, ou porque está consumido pela arte. Tem de ser sincero no amor ou na arte; não pode ser ilustre em nenhum deles, ou seja no que for, de outro modo. Pode arder por dentro, sem pensar no soneto que está a escrever; pode arder por fora, sem pensar no amor que está a imaginar. Mas tem de estar a arder algures. De contrário, não conseguirá transcender a sua inferioridade humana. 

Fernando Pessoa
(1888/1935)

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TB Engenharia
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domingo, 3 de maio de 2015







Nota sobre um poeta

Cazuza, que nasceu Agenor como seu avô. Viveu pouco mais de 30 anos, muito pouco para seu talento, só que viveu este tanto de tempo com uma intensidade incomum, talvez por isso tenha ido tão cedo fazer companhia aos anjos e às fadas. Mesmo de posse da passagem para ir, ainda relutou, não queria ir, mas se foi e a música perdeu um grande poeta. Alguns dizem que Renato Russo foi melhor, outros acham Arnaldo Antunes. Cada qual tem seu valor e todos merecem o codinome de poeta dos anos 80. Dos três, Cazuza foi o mais versátil, passeou pelo tock, pelo blues, pela bossa nova e pelo romantismo com a mesma sensibilidade..
No dia 4 de abril teria completado 57 anos, se não tivesse partido embora em 1992.


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Jack Gás e Agua
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Reflexão sobre uma frase

Uma grande amiga, numa discussão sobre amor e paixão, afirmou que o eterno apaixonado possui personalidade narcísica. Gostei da frase e em casa comecei a refletir sobre a mesma. Usando de meus parcos conhecimentos psicológicos analisei, dentro do possível, a tal afirmativa, não contente consultei o “amigo” Freud, mesmo dispensado do trabalho junto a mim, está sempre à disposição para assuntos desta natureza. Discutimos e chegamos a uma conclusão, a amiga estava correta, o eterno apaixonado nada mais é de que um Narciso, e como se sabe, adorava sua imagem não conseguindo amar, nem a si nem a outro. Esta é a questão, não se sentir capaz de amar e, por conseguinte, não está preparado para se relacionar com o outro, então o jeito é criar uma imagem, se apaixonar por ela, que dura até ser substituída por outra, A dificuldade de assumir o real faz com que se crie a ilusão., a engrenagem a mover esta paixão. A última coisa que o eterno apaixonado quer é a concretização deste sonho, pois nunca estará pronto para assumir o contato efetivo e afetivo. Não se sente preparado para retribuir afetos, de assumir um compromisso consigo mesmo e com o outro. Então o melhor é se apaixonar, de preferência por pouco tempo, para não correr o risco da paixão virar amor. E aí, que fazer com ele?

Jorge Nicoli

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Castelinho
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sábado, 2 de maio de 2015



Coisas da política de Lorena

Nossas lembranças passeiam pela política desta Lorena acolhedora, bela e culta, lembrando de alguns fatos inusitados com candidatos aos cargos eletivos. Uns comprovados, outros divulgados, mas como disse John Ford, cineasta americano: “se a lenda é mais atraente que o fato, filme-se a lenda”. As palavras não são exatamente essas, mas é o sentido de seu pensamento.
Bem, vamos iniciar o passeio falando de um candidato a vereador que achou bonito o termo lamentavelmente e não teve dúvidas “sou fulano, candidato a vereador e lamentavelmente estou ao lado de sicrano, nosso prefeito”. Um outro na porta de uma escola num bairro quase rural entendeu que se faltava prostituta na escola, ele, eleito, providenciaria a ida de algumas para lá. Talvez quisesse dizer substitutas. Asfarpiar pista de bicicross foi promessa em campanha.. Asfaltar pista de bicicross não é uma boa promessa.
Repetir discursos, às vezes, prega peça e um candidato a vereador com mania de dizer que era “filho daquela zona” se viu diante da platéia no bairro que abrigava uma zona de meretrício, mas saiu se bem dizendo que era filho da cidade. Mas não é só candidatos a vereador que deslizavam, os que pleiteavam o executivo também davam suas escorregadas, que dizer de um projeto cultural conter um concurso de pipas? De um outro que , para melhorar o nível da educação, proibir iô-iô e o consumo de guloseimas nas escolas?
Voltando à vereança, um candidato se esforçou para levar o comício, com estrelas do partido , para o antigo distrito da cidade. O argumento era de que, dado ao seu prestígio, todos se beneficiariam. A caravana se deslocou, foi bem recebida pelos líderes locais, porém o resultado das duas urnas não refletiu a acolhida. Nenhum voto para o candidato tampouco para o partido..
Neste mesmo ano um outro candidato, ofereceu às vésperas das eleições um lauto churrasco para mais de trezentos amigos e eleitores. Abertas as urnas nem todos os amigos comilões foram fiéis e o resultado foi muito menor do que os quilos de carne consumidos. Coisas de eleições. Eleições que mostram o real prestígio do candidato, como um bem relacionado cidadão, profissional da saúde, que obteve apenas um voto.
O inusitado continua mostrando sua cara nos dias de hoje e, quem sabe, no futuro poderemos rechear esta página com outras histórias. Ou lendas.

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Tatá Cardoso
Fotógrafo
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Uma pequena reflexão sobre Deus
            Já escrevi e falei sobre muitas coisas, algumas polêmicas, mas sempre propondo reflexão. Agora vou mais longe,  arrisco a falar de Deus. Não pretendo entrar no campo da Teologia, afinal me falta conteúdo para tal tarefa. Quero falar deste Deus que habita entre nós e que tem diversos nomes, Jeová, Alá, Grande Arquiteto, entre outros, e a quem   também são atribuídas  diversas funções, algumas prosaicas como evitar gols ou ajudar a fazê-los, uns acertos na questão amorosa  também fazem parte destas tarefas ou ainda arrumar empregos, a lista é longa, não caberia neste espaço. Um Deus servente. Agora, uns mais maldosos sempre evocam seu nome  para atingir aos inimigos. Um Deus vingador. Outros pedem pouco, apenas que sejam felizes. O Deus bondoso. Se bem que Ele já teve seus dias de sadismo e crueldade, época do Velho Testamento em que mandava pragas, terremotos, maremotos, quando se via contrariado e quando duvidava da fé de alguém exigia tarefas sobre-humanas, como sacrificar filhos. Claro que não deixava ir até o fim, mas convenhamos, sadismo puro. Mas depois ficou magnânimo, dócil, quando envia seu dileto Filho para nos salvar. Tempos retratados no Novo Testamento.
            O interessante  é que cada religião ou seita tem um Deus próprio que não se parece com o Deus de Jesus. Sempre um Ser intolerante com os que não O seguem e com os que professam uma crença que não a sua. Parece que, em cada Templo, há um Deus que não é igual ao Outro. Alguns interessados em coisas terrenas como o tal vil metal, outros  somente preocupados com os fiéis daquela  seita.
            De tudo, fica a incerteza: qual Deus devo seguir? O Deus vil, que, vive a eliminar adversários ou o Deus que é Pai, um Ser acima do bem e do mal? O Deus dos fanáticos ou o Deus de Leonardo Boff, Frei Beto, Pe. Mário Bonatti, Chico Xavier, Seu Araujo, João XXIII, Francisco? Acho que ficarei com este.
                                                                                  Xangô
é colaborador do Sopa de Cebola

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José Roberto
Cantor e músico
parceiro do
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cpmente



sexta-feira, 1 de maio de 2015






A Arte Engrandece a Vida

Também do ponto de vista pessoal a arte engrandece a vida. Propicia maior felicidade e mais rápido desgaste. Grava no semblante do seu servidor pistas de aventuras imaginárias e espirituais e provoca, com o tempo, mesmo mantendo uma vida exterior de calma enclausurada, em exacerbamento e um refinamento da sensibilidade, uma febre e exaustão de nervos como a vida plena de paixões e prazeres extravagantes dificilmente consegue apresentar.

Thomas Mann, nascido em, 6 de junho de 1875 , foi um escritor alemão. Tendo recebido o Nobel de Literatura de 1929, é considerado um dos maiores romancistas do século XX. Irmão mais novo do também romancista Heinrich Mann. Faleceu em 1955.

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Chamomila
parceira do
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Epílogo
         Agora, o manto marinho que a lua roubou do azul, vem cobrir os seus anjos caídos pelo cansaço de um dia inteiro da uma luta insana pela sobrevivência.
         Na quietude aparente que a noite suporta, jazem os corpos recheados de insignificâncias, moldando a silhueta das almas nos leitos de papelão novo, como sudários temporários, cujas marcas não duram mais que uma gota de suor, ou de lágrima.  As pedras e o cimento frio contam as horas, antecipando o sono leve que o medo espanta a cada segundo de sonho. As luzes parecem serenar o semblante dos homens que se fingem serenos. E a cidade, assim, vai cumprindo a sua função de abrigo, de aconchego aos mais descuidados. Vai esparramando generosamente os seus espaços sem medir a grandeza e a pequenez de seus milhões de habitantes. Parece que nela tudo cabe sem que lhe peçam licença. Dela todos se deleitam, ou a molestam sem consentimento. E ela permanece neutra a tudo e a todos sem manifestar-se em julgamentos. Presta-se apenas a servir de palco. Um imenso palco em forma de coração, cujas artérias pulsam vidas com os nevos á flor da pele, e no mais absoluto anonimato. E tudo isto para que os seus protagonistas se animem a contar as muitas tragédias humanas confundindo drama e comédia num mesmo ato e sem intervalos. Uma história comovente que brinca com os sentimentos na desordem de todos os sentidos. Histórias de dor e sofrimento de um enredo desvairado e desconexo ditas com o prazer e o sabor de cada palavra, ainda que estas sejam contadas e interpretadas com um enorme riso estampado na face de cada artista no exercício da sua função: “homem, ou palhaço”.
José  de Lima

Jack Gás
parceiro do
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