quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016




Um herói não se declara

Aquele que se expõe à morte deve estar à altura de incutir à sua época a força da exasperação. Se, pois, vejo um homem até então completamente desconhecido dos seus contemporâneos aparecer afirmando que está pronto a sacrificar a sua vida e a enfrentar a morte, muito tranquilamente então  eu demitiria este profeta.

Nunca um tal homem chegaria ao ponto de ser condenado à morte pela sua época, ainda que, por outro lado, tivesse realmente a coragem de morrer e a isso estivesse disposto.

Ele não conhece o segredo; pensa evidentemente que os seus contemporâneos, os mais fortes, se encarregarão da execução, quando ele deveria ser de tal modo superior ao seu tempo que não o deixasse, permanecendo ele próprio passivo, cumprir sozinho o seu trabalho de tal modo superior que não lho indicasse mas livremente o constrangesse a sair-se bem dele.

Os juízes costumam deixar dormir a pena capital quando um infeliz desgostado com a vida deseja a morte, e tal é também a sabedoria desta geração: que prazer teria ele em ter feito perecer este herói!

Soren Kierkegaard,
1813/1855
Filósofo e teólogo
nascido na Dinamarca

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GRUPO DE TEATRO
“SÁBIA INDECISÃO”
O Teatro como Arte





O efeito do afastamento no tempo

O afastamento no tempo engana o sentido do espírito como o afastamento no espaço provoca o erro dos sentidos.

O contemporâneo não vê a necessidade do que vem a ser, mas, quando há séculos entre o vir a ser e o observador, então ele vê a necessidade, como aquele que vê à distância o quadrado como algo redondo.


Soren Kierkegaard, 
1813/1855 
Filósofo e teólogo,
nascido na Dinamarca

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CINEMA

Lembranças Daqueles Tempos Sombrios
Ação entre amigos, 1998, dirigido por Beto Brant, conta a história de quatro amigos, que em 1971 foram presos e torturados pelo regime militar. Passados 25 anos esses quatro amigos se reencontram para uma pescaria no interior do Estado de São Paulo. Na realidade, um deles, planeja esta pescaria como pretexto para encontrar o torturador. Com um final surpreendente. O filme é um retrato das marcas deixadas  por um sistema ditatorial.

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Existimos em função do futuro

Tentai apreender a vossa consciência e sondai-a. Vereis que está vazia, só encontrareis nela o futuro. Nem sequer falo dos vossos projetos e expectativas: mas o próprio gesto que surpreendeis de passagem só tem sentido para vós se projetardes a sua realização final para fora dele, fora de vós, no ainda-não.

Mesmo esta taça cujo fundo não se vê - que se poderia ver, que está no fim de um movimento que ainda não se fez -, esta folha branca cujo reverso está escondido (mas poderia virar-se a folha) e todos os objectos estáveis e sólidos que nos rodeiam ostentam as suas qualidades mais imediatas, mais densas, no futuro.

O homem não é de modo nenhum a soma do que tem, mas a totalidade do que não tem ainda, do que poderia ter. E, se nos banhamos assim no futuro, não ficará atenuada a brutalidade informe do presente?
O acontecimento não nos assalta como um ladrão, visto que é, por natureza, um Tendo-sido-Futuro. E, para explicar o próprio passado, não será a primeira tarefa do historiador procurar o futuro? 


Jean-Paul Sartre
1905/1980

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Ser é escolher-se

Para a realidade humana, ser é escolher-se: nada lhe vem de fora, nem tampouco de dentro, que possa receber ou aceitar.

Está inteiramente abandonada, sem auxílio de nenhuma espécie, à insustentável necessidade de se fazer ser até ao mais ínfimo pormenor.

Assim, a liberdade não é um ser: é o ser do homem, quer dizer, o seu nada de ser. (.

O homem não pode ser ora livre, ora escravo; ele é inteiramente e sempre livre, ou não é.

Jean-Paul Sartre,
1905/1980

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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016


A independência do homem

Mal podemos acreditar no filósofo a quem tudo deixa indiferente; não acreditamos na tranquilidade do estóico, não desejamos sequer a impavidez, porque a própria condição humana nos lança na paixão e no medo, e são as lágrimas e o júbilo que nos permitem conhecer o que é.

Eis porque somente o impulso ascendente nos liberta das perturbações anímicas e não é pela supressão que nos encontramos. 

Temos, pois, que nos arriscar a ser homens e, enquanto homens, fazermos o que pudermos para alcançar a independência conquistada. Sofreremos então sem queixume, desesperar-nos-emos sem nos afundarmos, abalados mas nunca completamente derrubados quando suspensos à íntima independência que em nós se gera.

A filosofia, porém, é a escola dessa independência, não a sua posse.


Karl Jaspers, 
1883/1969 
Filósofo e psiquiatra,
nascido na Alemanha

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SOPA DE CEBOLA

Boletim  de Arte e Cultura 


CINEMA


Lembrança Daqueles Tempos Sombrios


Araguaya - A Conspiração do Silêncio, 2004 escrito e dirigido por Ronaldo Duque. Ganhador do Prêmio Especial de Gramado de 2004, o filme é baseado nos acontecimentos da Guerrilha do Araguaia, que aconteceu na década de 1970, no norte do Brasil, com Northon Nascimento, Françoise Forton
Danton Mello. Comovente o idealismo e, ao mesmo tempo, a ingenuidade destes guerrilheiros que acreditavam ser possível vencer  o Exército, a covardia da imprensa e a inércia da maioria.

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SOPA DE CEBOLA

Boletim de Arte e Cultura