quarta-feira, 20 de maio de 2015



O peso do vazio

Caminhando, pisando em pedras, fitando o nada. Pensamentos vagabundeando, preguiçosos, perdidos no vão escuro da mente ociosa. As pedras machucam meus pés, o vazio machuca minha alma.
A  chuva molha meu rosto e o frio afaga minhas carências. Tropeço aqui e acolá, caio, nem sempre quero levantar. Olhos para as feridas dos joelhos , sinto  a dor escorrendo pelas vísceras.
Caminho pisando pedras,  com o corpo molhado pela chucva e o peso do vazio sobrecarregando os ombros.

Outono,2015

Jorge Nicoli




Castelinho
Parceiro do

Sopa de Cebola



Cinema de Sempre

50 Anos de A Noviça Rebelde,

O ano de 2015 marca o aniversário de cinqüenta anos de um dos filmes mais vistos e queridos já produzidos: A Noviça Rebelde, produzido em 1964 e lançado em 1965.
Um drama musical com pitadas de suspense conseguiu o feito de ser a maior bilheteria daquele ano. Baseado em fatos reais, a história caiu no agrado do público e desde então, várias gerações assistem e ficam encantadas com a talentosa e carismática família Von Trapp. Uma história de amor, amizade, determinação que renova a crença de que o amor existe e pode aparecer na vida das pessoas de forma inesperada.
O ano é 1938 e o país é a Áustria: as sombras da Alemanha nazista começam a cobrir os céus da Europa, e a Áustria não vai escapar da sanha bélica dos nazistas, capitaneada por um louco chamado Hitler. Mas, enquanto a guerra não chega, a vida segue seu curso e uma jovem noviça está encontrando dificuldades para seguir as regras da Abadia de Nonnberg, mas a sábia reverenda madre encontra uma boa forma de dirimir as dúvidas de Maria em relação ao seu chamado para a vida consagrada... A madre quer ajudá-la a encontrar sua verdadeira vocação; assim a vida de Maria vai sofrer uma grande transformação quando é designada a trabalhar como governanta na mansão da família do barão Von Trapp. Ele é um capitão reformado e viúvo. Tem sete filhos e os trata como seus antigos subordinados na Marinha.
A docilidade de Maria e o uso da música vão dar um jeito no gênio rebelde das levadas crianças; e o próprio capitão vai ficar apaixonado pela governanta; mas existe um problema a ser resolvido: uma bela dama da sociedade pretende ser a senhora Von Trapp, a baronesa Elsa Scharaeder. O capitão desmancha o noivado e toma Maria como sua esposa... O final é surpreendente e a música vai ajudar a família a enfrentar a ira de um chefe nazista e garantir a fuga dos Von Trapp do país.
As belas paisagens austríacas, as lindas canções – parecem ter o poder de grudar na cabeça do espectador e as interpretações dos artistas fazem deste filme uma pequena obra-prima. Tudo contribuiu para o seu xito..

A Noviça Rebelde (Sound of Music), 1965, musical, direção: Robert Wise, com Julie Andrews, Christopher Plummer, Eleanor Parker, Peggie Wood, Oscar 1965:  melhor filme,  direção,, montagem,  som e r trilha sonora.

Joel B. Ramos


Cobianchi
Parceiro do
Sopa de Cebola




A Poesia do Dia

Estrada de Jó

Estrada de pó, sob um sol só
escorre sobre a testa o suor,
mistura de lágrima e sal.
Estrada de sal, uma chaga só
de sangue pisado
no chão tolhido e escravizado.
Estrada do sol, uma dor só
em busca da terra que não é sua,
luta de muitos mortos.
Estrada da morte, um terror só
sepulta em covas rasas
restos de vidas insepultas.
Estrada do justo, revolta só
cega com a espada perversa
os olhos de deus.
Estrada de Jó, um deus só
guarda na boca amarga
o amargo gosto do fel.

Jorge Nicoli

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Comary
Parceiro do
Sopa de Cebola



 Para a menina linda

1. Não há mais os olhos a brilhar nas manhãs, não há mais o sorriso a sugerir enigmas, não há mais o vermelho a marcar o compasso do coração. Que chatice.
2. Disse o poeta: “a vida é arte do encontro” e eu diria que também é a arte do reencontro. Nos encontramos, acontecem os desencontramos mas, às vezes, nos reencontramos, esta talvez seja a grande arte, a do encontrar.
3. É preciso acreditar na paixão como engrenagem a mover a roda viva..
4. Mais uma manhã vazia, a paixão escondida nos vãos das impossibilidades e o silêncio a acinzentar o colorido dos seus.olhos.
5. De repente meus olhos não encontram mais os seus, então uma névoa de melancolia encobre a alegria do meu olhar;
6. Ontem senti saudade, para não ficar só, me abracei a ela e adormeci pensando em você.
7. Este seu sorriso a me encabular, a propor enigmas, quase sempre, indecifráveis, a m levar por caminhos dos devaneios poéticos e, sobretudo, a me fazer acreditar que vale a pena viver se apaixonando
8. A manhã acordou esbaldando um enorme sorriso em tom azulado e aí não há como me livrar da saudade que há tempos me acompanha.
9. O destino é insensível, por isso autoritário, e assim somos escravos de seus caprichos.
10. Não estava acostumado a ter saudade, por isso a ausência nunca era preenchida, até porque não era percebida. Um dia, alguém me disse para prestar atenção no vazio provocado pela ausência. Atento corri para os braços da saudade.
11. Que é estar longe? É estar distante 100 ou 200 quilômetros? E estar perto, é dividir a mesma cama ou a mesma mesa? Se pode estar distante mesmo trocando
abraços como se pode estar juntos, embora distantes alguns anos-luz. O elo é a paixão.
12. Alguém disse que me empolgo com facilidade, que me apaixono a toda hora. Basta um sorriso ou um meigo olhar, uma palavra amável ou um afago, para o coração se agitar. Ah! Essa carência incurável e essas mulheres lindas e sensíveis

Jorge Nicoli

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Barraca das Dondocas
Parceira do
Sopa de Cebola


terça-feira, 19 de maio de 2015


Um Personagem de Si Mesmo

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·         “Convém não facilitar com os bons, convém não provocar os puros. Há no ser humano, e ainda nos melhores, uma série de ferocidades adormecidas. O importante é não acordá-las.
·          
·         “O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É degradante que um homem deseje a mãe dos seus próprios filhos.
·         Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém.
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·         “O dinheiro compra até o amor verdadeiro.
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·         “Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos...


Nelson Rodrigues (1912-1980)
escritor, jornalista e dramaturgo. É o autor de peças que revolucionaram o teatro, entre elas, Vestido de Noiva,que foi o divisor de água no teatro brasileiro, Senhora dos Afogados, O Beijo no Asfalto, Bonitinha, Mas Ordinária e Toda Nudez Será Castigada. Algumas levadas à tela, mas sem o melhor de Nelson,

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Lucilena Amann
Psicóloga e parceira do
Sopa de Cebola


A Poesia do Dia

Reflexão Sobre 
o Que Dizer

Há tantas coisas para serem ditas,
outras tantas para não serem.
Não dizer dos amores que não tive
ou do amor que tive.
mas talvez dizer das minhas dores 
ou daquele São Jorge iluminado
dependurado na parede daquela casa
quando eu menino
ainda acreditava nas coisas lá do céu.

Não dizer das pequenas mágoas 
nem dos grandes rancores,
mas dizer das alegrias:
papos na pracinha, flertes na praça,
peladas nos campos do Galvão, 
os partos e o Corinthians campeão.

Há coisas que devem ser ditas
como das saudades que nunca tive 
ou das poucas lembranças 
como as que tenho do meu pai.

Tem coisas que são para serem faladas
outras para serem apenas escritas
por isso faço poesias
só assim posso dizer das coisas
que não são para serem ditas.

Inverno.2010

Jorge Nicoli

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Mandala
Parceura do
Sopa de Cebola


segunda-feira, 18 de maio de 2015



Nada é impossível de mudar

Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo, e examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

Bertolt Brecht
(1898/1956)

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Ótica Buck
Parceira  do

Sopa de Cebola